Sempre me fascinou a relação texto/música.Temas e fontes inesgotáveis para a criação artística, protestos, histórias alegres ou tristes... Muitas vezes a música vem, também em forma de poesia. Poesia feita de palavras, medida e ritmo. O ritmo é o núcleo da poesia. Os poetas verdadeiros são especialmente músicos de primeira ordem. A poesia da letra de música é uma escrita cadenciada, sonora... E sempre vale a pena ser apreciada. "Welcome/Bienvenue/Bienvenidos/Benvenuto/Irashaimasu”

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segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Chico Mineiro - Tonico e Tinoco

*SÉRIE SERTANEJA*

Esta revistinha, chamada Modinhas Sertanejas, é uma edição da Editora Prelúdio, de São Paulo, em associação com a dupla Tonico e Tinoco. Foram lançadas 25 edições apenas e hoje elas constituem peças de colecionadores e são muito disputadas pelos admiradores da dupla.


Chico Mineiro - Tonico e Tinoco

(DECLAMADO)

Cada vez que me "alembro"
do amigo Chico Mineiro,
das viage que nois fazia
era ele meu companheiro.
Sinto uma tristeza,
uma vontade de chorar,
alembrando daqueles tempos
que não hai mais de voltar.
Apesar de ser patrão,
eu tinha no coração
o amigo Chico Mineiro,
caboclo bom decidido,
na viola era delorido
e era o peão dos boiadeiro.
Hoje porém com tristeza
recordando das proeza
da nossa viage motin,
viajemo mais de dez anos,
vendendo boiada e comprando,
por esse rincão sem-fim
caboco de nada temia.
Mas porém, chegou o dia
que Chico apartou-se de mim.

(CANTADO)

Fizemo a urtima viage
Foi lá pro sertão de Goiai.
Fui eu e o Chico Mineiro
também foi um capatai.
Viajemo muitos dia
pra chega em Ouro Fino
aonde noi passemo a noite
numa festa do Divino.
A festa tava tão boa
mas ante não tivesse ido
o Chico foi baleado
por um home desconhecido.
Larguei de compra boiada.
Mataram meu cumpanheiro.
Acabou o som da viola,
acabou seu Chico Mineiro.
Despoi daquela tragédia
fiquei mais aborecido.
Não sabia da nossa amizade.
Porque nós dois era unido.
Quando vi seu documento
me cortou meu coração
vim sabê que o Chico Mineiro
era meu ligítimo irmão.

Composição: Tonico e Francisco Ribeiro

>> Cifra

>> Mid


Mid voice >> Tonico e Tinoco

"Em Julho de 1946, quando o Tonico e eu chegávamos para fazer o Programa na Rádio Difusora de São Paulo, fomos chamados pelo porteiro da emissora, o senhor Francisco Ribeiro, que contou-nos uma história de dois irmãos.
Um saiu pelo mundo e virou peão ( Chico ), o segundo ( Zé Mendes ) tornou-se dono de tropa.
Quis o destino que se encontrassem. Pôr muitos anos trabalharam juntos, e só com a morte do Chico é que veio a revelação do parentesco entre eles.
Na década de 90, fui ( Tinoco ) até Goiás Velho ( Antiga Capital de Goiás ), onde existia na época alguns pertences, uma capela e a lenda do Chico Mineiro que vivia na lembrança de muitos moradores.
Outro detalhe que não está revelado na letra, é que Chico ( O mais velho ), sabia que era irmão de Zé Mendes ( O mais novo ) e sempre procurou defende-lo em muitas dificuldades.
Escrevemos a história numa folha de pão ( que existia nas padarias ), e virou um dos maiores sucessos de Tonico e Tinoco."

(Tinoco)


Quer saber mais sobre Tonico e Tinoco???
Visitei e recomendo este site MARAVILHOSO de Ronaldo Celoto, fã da dupla, de Catanduva (SP).

>> http://www.widesoft.com.br/users/pcastro2/apresent.htm

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

O Menino Da Porteira - Sergio Reis


Estátua erigida em Ouro Fino (MG), em homenagem a música
"Menino da Porteira", inicialmente cantada por Luizinho e Limeira
e imortalizada por Tonico e Tinoco.
Ela tem 10 metros de altura por 16 metros de largura.
Observe na imagem as duas pessoas à direita.


O Menino Da Porteira - Sérgio Reis

Toda vez que eu viajava pela Estrada de Ouro Fino
de longe eu avistava a figura de um menino
que corria abrir a porteira e depois vinha me pedindo:
- Toque o berrante seu moço que é pra eu ficar ouvindo.

Quando a boiada passava e a poeira ia baixando,
eu jogava uma moeda e ele saía pulando:
- Obrigado boiadeiro, que Deus vá lhe acompanhando
pra aquele sertão à fora meu berrante ia tocando.

Nos caminhos desta vida muitos espinhos eu encontrei,
mas nenhum calou mais fundo do que isso que eu passei
Na minha viagem de volta qualquer coisa eu cismei
Vendo a porteira fechada o menino não avistei.

Apeei do meu cavalo e no ranchinho a beira chão
Ví uma mulher chorando, quis saber qual a razão
- Boiadeiro veio tarde, veja a cruz no estradão!
Quem matou o meu filhinho foi um boi sem coração!

Lá pras bandas de Ouro Fino levando gado selvagem
quando passo na porteira até vejo a sua imagem
O seu rangido tão triste mais parece uma mensagem
Daquele rosto trigueiro desejando-me boa viagem.

A cruzinha no estradão do pensamento não sai
Eu já fiz um juramento que não esqueço jamais
Nem que o meu gado estoure, e eu precise ir atrás
Neste pedaço de chão berrante eu não toco mais.

Composição: Teddy Vieira e Luizinho - 1955 - O menino da porteira (cururu)

>> Cifra

>> Midi Voice